A cerca de 80 quilômetros ao sul de Puno, a caminho da fronteira boliviana, encontra-se a cidade de Juli. Apelidada de "Pequena Roma dos Andes", este título destaca a importância religiosa e cultural que a cidade adquiriu durante o período colonial, graças à presença da Companhia de Jesus (Jesuítas).
O que torna Juli única é a concentração excepcional de quatro templos principais construídos entre os séculos XVI e XVII. Estas igrejas serviram como centros de formação e missões para os jesuítas antes da sua expansão por toda a América do Sul (incluindo as famosas missões de Chiquitos, na Bolívia).
Juli também foi um centro intelectual. Aqui foi instalada uma das primeiras tipografias da América do Sul, utilizada para publicar livros e catecismos na língua local, o aimara. Este papel central na evangelização e na educação consolidou o seu status como capital religiosa.
A riqueza de Juli reside na sua concentração única de grandes igrejas coloniais. Elas serviram como centros de evangelização e culto para os jesuítas, que formavam os missionários destinados a todo o continente.
Considerada a mais impressionante, esta igreja ergue-se majestosamente às margens do lago. Embora às vezes em risco estrutural (o seu campanário infelizmente desabou após anos de deterioração em 2013), continua sendo um testemunho da opulência barroca. A sua arquitetura integra elementos indígenas, típicos do estilo barroco andino.
Localizada na Plaza de Armas, era o principal local de culto dos espanhóis. Destaca-se pela sua fachada mais sóbria, de estilo renascentista, mas o seu interior barroco abriga altares ricamente decorados e pinturas da Escola de Cusco.
Caracterizada por uma grande beleza arquitetônica e um portal ricamente esculpido, abrigou outrora o Convento dos Franciscanos. É frequentemente considerada a igreja mais bela da cidade pela delicadeza dos seus detalhes esculpidos.
Esta igreja desempenhou um papel crucial na missão jesuíta. Foi o local da primeira tipografia em aimará e é reconhecida pelos seus murais bem preservados, que oferecem uma visão da arte religiosa da época.
Além dos seus impressionantes templos, Juli continua sendo uma animada cidade aimará. Sua importância histórica e sua localização às margens do Lago Titicaca oferecem oportunidades de descobertas que enriquecem a experiência do viajante.
A Plaza de Armas de Juli é o ponto central da vida comunitária, rodeada pela Igreja de São Pedro Mártir. É o lugar perfeito para observar o artesanato local e o ritmo da vida cotidiana, já que muitos moradores continuam preservando as tradições culturais aimarás.
Graças à sua localização junto ao lago, Juli oferece vistas deslumbrantes, especialmente a partir da Igreja de Santa Cruz de Jerusalém. É um lugar ideal para admirar a vasta paisagem azul do Altiplano e do Lago Titicaca, principalmente ao amanhecer ou ao entardecer.
Juli é um tesouro frequentemente esquecido pelas rotas turísticas tradicionais. Suas igrejas não são simples edifícios religiosos; são testemunhos monumentais da história intelectual, religiosa e artística da América do Sul.
Para quem busca mergulhar no barroco andino, compreender o impacto das missões jesuítas ou simplesmente descobrir uma cidade autêntica do sul do Peru, Juli — a “Pequena Roma dos Andes” — é um destino fascinante que vale plenamente a visita. Confirma a riqueza e a diversidade cultural que o Altiplano tem a oferecer.