Amantani é uma das maiores ilhas no lado peruano do Lago Titicaca, e também uma das mais preservadas. Ao contrário das Uros, a ilha é de terra firme e é habitada por comunidades de cultura Quechua que conseguiram manter suas tradições e sua organização social baseada na ajuda mútua (ayni).
Não há carros nem polícia em Amantani. Embora existam algumas acomodações simples geridas localmente, a vida é regida pelo sol e pela agricultura. A eletricidade é recente e frequentemente limitada. Este minimalismo forçado é precisamente o que atrai viajantes em busca de desconexão e autenticidade.
Amantani é mais conhecida por ser o berço do turismo comunitário no lago. Os visitantes geralmente passam a noite aqui, hospedados e alimentados diretamente pelas famílias locais. Esta experiência é fundamental, representando uma profunda troca cultural onde a hospitalidade andina é celebrada.
A ilha é dominada por dois picos principais, cada um abrigando os vestígios de um templo pré-Inca, símbolos da dualidade na cosmogonia andina:
Localizado no pico mais elevado, representa o princípio masculino, a energia do sol e do pai. A trilha para este templo é uma experiência em si, oferecendo panoramas de 360° sobre a imensidão do Lago Titicaca. É o local ideal para observar o pôr do sol.
Este templo é dedicado ao princípio feminino: a fertilidade e a terra nutridora. É menor e simboliza a proteção e a abundância. Estes dois templos só são abertos para uma grande festa anual (geralmente em janeiro), mas seus sítios permanecem como locais de forte espiritualidade.
Alcançar os picos (mais de 4100 m) requer cerca de 1 hora de caminhada a partir do porto. É imperativo estar bem aclimatado antes de se aventurar, especialmente depois de passar o dia no barco.
Após o jantar, os anfitriões frequentemente organizam uma pequena festa (peña) para os visitantes. Os viajantes são convidados a vestir roupas tradicionais (ponchos para homens, saias coloridas para mulheres) e a participar de danças ao som do huayno (música andina) e da flauta de pã (zampoña).
As noites no Lago Titicaca são muito frias, mesmo na estação seca (até 0°C). Embora as famílias frequentemente forneçam cobertores grossos, é crucial levar roupas quentes, inclusive para dormir. A ausência de aquecimento central é a norma, destacando o caráter autêntico da estadia.
Na tradição do turismo comunitário, é muito apreciado deixar uma gorjeta para a família anfitriã pela qualidade de sua hospitalidade. Pequenos presentes também são bem-vindos, seja para adultos ou para crianças.